Quando falamos em hipnose, muitas pessoas ainda pensam em algo ligado ao controle, ao “dormir e acordar”, ou até a imagens de palco. Mas a hipnose terapêutica é muito diferente disso. Trata-se de um estado natural de consciência ampliada, em que a mente se torna mais receptiva a novos significados, símbolos e possibilidades de cura.
Na hipnose transpessoal, esse processo vai ainda além.
Aqui, o foco não está apenas em aliviar sintomas ou mudar comportamentos. O convite é para acessar dimensões mais profundas do ser, onde estão guardados recursos internos, memórias significativas e até experiências que tocam o campo espiritual.
É um mergulho para dentro, em que o cliente é conduzido com delicadeza e respeito a lugares de sabedoria interior.
É também um caminho de reconexão: consigo mesmo, com o sagrado e com um sentido maior da existência.
O olhar transpessoal
Enquanto a hipnose tradicional se concentra em trabalhar aspectos da mente consciente e inconsciente, a hipnose transpessoal inclui uma terceira dimensão: a da consciência expandida.
Nesse campo, vivências simbólicas, imagens arquetípicas, experiências de transcendência e estados de presença profunda podem emergir como parte do processo terapêutico.
Essas experiências não são interpretadas como “fantasias” ou “ilusões”, mas como conteúdos significativos que trazem cura, integração e sentido para a vida.
Para que serve?
- A hipnose transpessoal pode auxiliar em:
- processos de autoconhecimento e expansão da consciência;
- elaboração de lutos, dores e traumas;
- fortalecimento de recursos internos;
- integração de experiências espirituais e simbólicas;
- ressignificação de memórias e padrões limitantes.
- Um convite ao despertar
Praticar a hipnose transpessoal é se abrir para a possibilidade de que a cura não está apenas na mente lógica, mas também no mistério da alma. É reconhecer que dentro de cada pessoa existe uma fonte de sabedoria que pode ser acessada em estados ampliados de consciência.
No fundo, trata-se de um caminho de presença, reconexão e despertar.
No Mangata, é essa hipnose que praticamos — tanto em atendimentos individuais quanto em grupos. Valorizamos profundamente as experiências vividas, acompanhando, acolhendo e fortalecendo cada participante na singularidade de seus processos.
Referências
KRIPPNER, Stanley; VILLADO, Daniel. Trance and Transpersonal Hypnosis. São Paulo: Summus, 1998.
WEIL, Pierre. A Psicologia Transpessoal. Petrópolis: Vozes, 1993.
GROF, Stanislav. Aventura da Autodescoberta. São Paulo: Cultrix, 1987.
ERICKSON, Milton H. Realidade da Hipnose. São Paulo: Summus, 1985.
Fabíola Ferrari